No ano de 1951 Karola Szilard participou da Primeira Bienal Internacional de São Paulo, com 3 xilogravuras: Cidade Baixa - Bahia, Ouro Preto e Feira na Bahia. Teve a participação de Picasso, Victor Brecheret, Portinari, Djanira, Tarsila áo Amaral, Carybé entre outros. Veja aqui o catálogo da Bienal.
Ouro Preto
Cidade Baixa
Feira na Bahia
Além da participação na 1ª Bienal Internacional de São Paulo Karola Szilard participou de outras duas exposições: Salão Nacional de Belas Artes no Rio de Janeiro ocorrido no mes de outubro de 1944 e Salão Paulista de Belas Artes em junho de 1946. Participou também de duas exposições no Museu Nacional de Belas Artes no Rio de Janeiro em 1950 e 1953 onde recebeu um premio com a Xilogravura Carnaval.(Ref: Itaucultural)
Carnaval
Foram resgatadas algumas citações sobre os trabalhos de Karola Szilard nas publicações nos jornais da época:
Artigo transcrito do jornal A Noite de 09 de maio de 1950:
"Karola Szilard figura entre as artistas estrangeiras que o Brasil conquistou. Duas informações sobre sua vida tornam-se necessárias, antes de referir as impressões de sua atual exposição no Ministério da Educação. Nasceu na Hungria, estudou em Budapest, casou-se lá, veio para o Rio há vinte e quatro anos. Já era pintora, mas a descendência se foi avolumando e ela teve que cuidar dos filhos, do lar. dum mundo doméstico difícil e absorvente. De uns anos para cá voltaram a dominar os pendores artísticos e, outra vez, empunhou a paleta que estava esquecida.
Recomeçou com entusiasmo. Diremos mesmo com o desejo recalcado de vinte anos.
Sua sensibilidade proclamava o jogo das formas , o equilíbrio das composições ve a riquesa das cores. Pos-se a estudar em continuação à técnica que possuia. Frequentou o grupo de Guinard e tomou aulas com Pedro Correia de Araújo: de tendência moderna, situou-se dentre os modernos. Depois, interessada tanto pela pintura como pela gravura, aproveitou do ambiente da Fundação Getúlio Vargas, para firmar a sua vocação pela xilogravura colorida. O resultado da nova fase desses quatro aou cinco últimos anos, é o que apresenta a exposição ao público. Em primeiro lugar, vejamos a pintora , depois a artista da xilogravura.
A pintura de Karola caracteriza-se por uma força instintiva de composição e de penetração da matéria. Ela procura os volumes, sem maior preocupação com os perfis. Ela tenta as grandes entonações, sem se ofuscar pelo brilho das cores. Por isso sua pintura é sombria, grave, soturna, sem alacridades, sem violencias, sem exageros. Certos quadros conseguiram resultado expressivo, através dessa interpretação como Rua no Morro, Congonhas e os Profetas, Barcos no Caju, Ouro Preto, Casas Velhas, Mar Verde e Barcos do Mercado da Bahia.
Ora a paisagem comum inclusive marinhas; ora os motivos de morro e os temas populares; ora o casarão antigo; ora as flores; ora o retrato - os mais diversos assuntos têm interessado Karola, e, em todos, revela a discrição de sua sensibilidade e a indiscutível vocação plástica que a anima. Sua xilogravura constitui, a bem dizer, outra exposição: aqui, a artista compõe com muito mais movimento, mais intensidade, um certo nervosismo, e plena utilização das cores.
Repetem-se os temas e junta alguns de inspiração literária. Destacam-se a Feira da água de meninos e Lavadeiras da Bahia. Consegue efeitos magníficos com a xilografia, especialmente a inquietação da matéria, obtendo maior riquesa pictórica. A atual exposição revela, pois, uma artista que pelo tempo e pelo amor dos temas locais já nos pertence, formando entre as expressões altamente sensíveis da atual geração e merecendo a simpatia e o aplauso do público. (C.K.)" -"Letras e Artes".
Trecho do Caju é o título desta obra: Um quadro cheio de vigor e energia da Sra. Karola Szilard Gabor, que expõe no Ministério da Educação e constitui o assunto da crônica acima.
- Suplemento "Letras e Artes"do jornal Amanhã de 14 de maio de 1950, na página 4. Apesar de a citação à Karola estar somente na página 4, optamos por publicar todo o encarte afim de manter o carater histórico.
- Citação no "Diário Oficial", Edição 10353 10 de junho de 1953. Aqui há o registro da premiação com a xilogravura "Carnaval" no 2º Salão Nacional de Arte Moderna.
Karola e Filhos - Rio de Janeiro - 1934
Karola e Filhos - Rio de Janeiro - 1984
A história dos Gabor de Lemhényi começa em 1510. O título de nobreza é certificado por uma inscrição de 1614 e posteriormente em 1635 no cartório da cidade de Bereck, no comitê Haromszék, onde está transcrito o livro “ A História dos Székely e a Guerra da Liberdade”, Uma outra certidão está no Diploma Leopoldina. A primeira sede da família Gábor foi na pequena cidade de Lemhényi, na Transilvania. Os primeiros nobres Gábor foram André e Jakob. Posteriormente a família mudou-se para Bereck, onde reside até os dias de hoje.
Matyás Gábor, pai de Karola Szilard Gábor, escreveu em seu livro de memórias: "Eu nascí em Bereck em 26 de fevereiro de 1861. Meus pais eram Imre Gabor e Victoria Trefas." Continue lendo seu livro "aqui."
Desde que o András nasceu em 1510, outras 14 gerações da família Gábor aparecem na árvore genealógica que meu avô Matyás mandou para a sua filha Karola em 1931. E naquele tempo a Transilvânia era um principado independente, enquanto a Hungria sofria a ocupação dos turcos do Império Otomano. A região é belíssima, graças aos Montes Cárpatos, que oferecem um dos mais belos cenários naturais da Europa. Sua história é mais conhecida como a terra do Drácula e dos seus misteriosos castelos.
O Drácula de fato existiu. Chamava-se Vlad Tépes, filho de Vlad Dracul, nascido em 1431 na Valáquia, onde ele era o Príncipe. Durante seis anos, governou com extrema crueldade, matando cerca de 40 000 pessoas, a maior parte usando o suplício da empalação. Perseguido pelos turcos, fugiu para a Transilvânia, onde morreu em batalha.
Foi um escritor inglês, Bram Stoker, que transformou o verdadeiro Drácula no vampiro das suas novelas. Aproveitou os cenários da Transilvânia, onde as tempestades castigam os castelos medievais e os lobos uivam de fato, para escrever as histórias que a Hammer Films transformou num dos maiores sucessos do cinema. Daí em diante, Transilvânia e vampiros ficaram interligados para sempre.
O András Gábor de 1510 morava na pequena cidade de Lemhény, hoje Lemnia em romeno. Mais tarde mudaram para Bereczk, que foi designada cidade em 1426. As duas cidades são muito próximas uma da outra, separadas por um rio. Com a altitude de 600 metros acima do nível do mar, de clima muito agradável, Bereczk hoje tem 11000 habitantes e passou a ser chamada de Bretcu. Apesar de estar em poder dos romenos desde 1919, ainda é notória a presença húngara na cidade.
Os Gábor foram sempre importantes no local. Temos registro de que Imre Gabor (1815 – 1886) foi prefeito da cidade. Casou com Victoria Trefas (1818 – 1886), de uma família local em que todos eram funcionários postais e tiveram 16 filhos, um deles o meu avô Matyas. No entanto, o personagem mais importante da cidade foi o irmão do Imre, o Áron Gabor. Na revolução de 1848, quando os húngaros tentavam ficar independentes da Áustria, Áron Gábor produzia em sua oficina em Bereczk os canhões usando como materia prima os sinos das igrejas das cidades vizinhas. Os húngaros da Transilvânia só foram derrotados quando a Russia entrou do lado da Áustria. Áron Gábor morreu na batalha final, A cidade preserva a sua casa como museu e erigiu uma estátua em sua homenagem.
Matyas Gábor foi o ultimo da nossa linhagem direta a habitar em Bereczk. Em 1883, quando seu pai já tinha 68 anos de idade, ele prestou serviço militar na cidade. No ano seguinte, foi estudar em outra cidade e nunca mais voltou a morar em Bereczk. A comunicação do seu falecimento, em 1936, menciona “lemhényi Gábor Mátyás”, provávelmente algum título outorgado à família naquela cidade, mas ele certamente nasceu em Bereczk.
O único contato que temos com alguém ligado à cidade é com o Dr. László Gábor, nascido em 1915, que ainda visita a cidade e mantem conservados os túmulos dos antepassados. Recentemente descobrimos esta Fundatia Culturala Áron Gábor, que mantem o Museu de Áron Gábor e que poderia fornecer novas informações.
A cidade de Bretcu está localizada no Distrito de Covasna. O acesso ferroviário é pela linha Sfintu Gheorghe – Covasna – Tirgu Secuiesc – Bretcu. Fica a 76 km da cidade de Brasov, a maior daquela região, e existe também o acesso pela rodovia DN 11. Existem várias estâncias hidro-minerais e diversas Spas, principalmente em Covasna.
Curiosidade enviada por Pedro Szilard em 15 Agosto 2017.
Familia Matyás - 1929
Adalberto e Karola - 1926
Karola e Filhos - 1927
Karola e Filhos - 1934
Filhos - Bebi e Agnes
Filhos - Hanzi e Pedro
Áron Gábor - Fonte Wikipedia
Em seu livro de memórias Matyás Gábor cita na página 4 que seu tio Aron Gabor foi o grande heroi húngaro na Guerra pela Libertação da Hungria em 1849, que morreu em combate perto de Eresztvény, onde está enterrado no mausoleu que a cidade lhe dedicou. "Registro no Wikipedia"
Áron Gábor - Fonte Wikipedia
Karola envia à sua neta Vera uma carta com receitas de torta de chocolate e da famosa torta húngara "Torta Dobos". Foi preservada a originalidade da carta. Me lembro da Karola preparando esta maravilhosa torta. Assava várias camadas finas, uma a uma e, após, montava a torta intercalando camadas de massa e recheio. Por fim colocava a camada de caramelo. "A receita."
Ao visitar amigos ou membros da família, ou viajando exclusivamente para pintar, Karola retratou paisagens que foram imortalizadas em quadros: Criou quadros nas cidades de Salvador na Bahia, Ouro Preto e Pirapora em Minas Gerais, Paraty e Rio de Janeiro, Tocantins em Goiás e New York nos USA.
Salvador - Bahia
Ouro Preto - Minas Gerais
Pirapora - Minas Gerais
Rio de Janeiro (Caju)